Home > Blog > Retorno inesperado de febre amarela inquieta população do sudeste

Retorno inesperado de febre amarela inquieta população do sudeste

Presente no vasto território brasileiro, o vírus da família dos Flavivírus, conhecido popularmente como febre amarela, preocupou por muito tempo a população do norte brasileiro. No começo do século XX, mosquitos Haemagogus se alimentavam de macacos infectados pela doença nas regiões tropicais e, posteriormente, picavam seres humanos. Com o deslocamento do homem para os centros urbanos, a infestação do vírus progrediu com o surgimento do famoso Aedes aegypti.  Sendo assim, a transmissão do vírus ocorre apenas quando o mosquito pica uma pessoa infectada e depois pica uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina.

Apesar da forma rápida de difusão, o Brasil tinha conseguido vencer o vírus em sua forma urbana, já que a última notícia de febre amarela ocorreu em 1942, em uma cidade do Acre. Surpreendendo toda a área médica, a notícia do recente surto da doença em Minas Gerais e recente morte de cinco macacos em São José do Rio Preto (SP) aumentou o nível de alerta das autoridades de saúde. 

Principais sintomas da febre amarela
“Cansaço, vômito, diarreia, febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte são os principais sintomas da febre amarela”, explica o médico Daniel Augusto de Fernandes, diretor clínico da Pronto Saúde. A doença pode evoluir posteriormente para a icterícia, isto é, coloração amarelada na pele e nos olhos, caracterizando um sintoma mais grave e a razão do nome popular do vírus. 

Geralmente, o paciente procura o hospital e o diagnóstico é dificultado por sua semelhança com a dengue, primo da febre amarela. A fim de evitar tratamento impreciso, há exames laboratoriais específicos para realizar a distinção. Após a verificação e confirmação do vírus febre amarela, inicia-se suporte hospitalar para que a doença não evolua. O tratamento consiste de hidratação e uso de antitérmicos. Casos mais graves podem requerer diálise e transfusão de sangue.

Como posso me prevenir?
Essencialmente, todos os brasileiros podem tomar a vacina eficaz contra a febre amarela, contudo ela é especialmente recomendada para viajantes cujo destino se estabelece em zonas de florestas e cerrados ou pessoas que vivem em áreas rurais. “Manter a vacinação em dia é imprescindível. Para estar imunizado, bastam duas doses. Após receber a primeira dose, a segunda é aplicada somente após dez anos”, diz Fernandes. 
Nas áreas que se concentram os casos de febre amarela, é prudente vestir-se com calças e camisas de manga longa, além de utilizar sempre o repelente. Já em áreas urbanas, a doença não é muito comum, mas combater o mosquito Aedes aegypti é uma medida de extrema relevância para evitar que o surto apareça em outras cidades. É necessário verificar semanalmente locais que acumulem água, como caixas d’água, calhas, garrafas na área de fora da casa, lixeiras, ralos e vasos de plantas. Atenção redobrada da população para combater o mosquito será a medida mais sólida para que a febre amarela permaneça no passado da história brasileira.

*A vacina contra a febre amarela é gratuita e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde da rede pública.