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Pesquisas sobre Alzheimer são passos importantes, mas ainda são o começo da jornada

A doença de Alzheimer, conhecida por causar demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), alcança, atualmente, 1 milhão e 200 mil pessoas no Brasil. “A grande maioria dos pacientes continua sem diagnóstico, por não existir um marcador biológico que confirme a doença”, confirma a Dr. Maria Fernanda Roman Truffa, médica geriatra da Pronto Saúde.

Entretanto, no início de abril, muitas famílias brasileiras recuperaram o ânimo para lutar contra a doença após um inchaço de notícias, em grandes portais digitais, sobre a descoberta da “verdadeira origem” da doença do Alzheimer. Antes dessa pesquisa, o Alzheimer era considerado como um mal que surgia devido à degeneração das células do hipocampo, região cerebral importante para os mecanismos da memória. Com os novos estudos da Universidade Campus Bio-Médico de Roma, foi considerada a possibilidade de uma outra origem para a doença, cujo início se daria na área tegmental ventral, componente responsável pela produção de dopamina, neurotransmissor vinculado às mudanças de humor. Contudo, segundo a médica geriatra, há uma distância considerável dos achados experimentais com animais até sua utilização clínica em seres humanos. “Embora seja um achado importante, é, por enquanto, apenas uma contestação das ideias vigentes sobre a doença. Ainda faltam muitas pesquisas para que esses resultados possam gerar algum tipo de tratamento mais eficaz contra o avanço dos malefícios da Alzheimer”, esclarece.

Como essa enfermidade ainda causa muito sofrimento nos pacientes e nas famílias brasileiras por ainda não existir um tratamento que combata seu avanço degenerativo, as novas notícias causaram alvoroço nas redes sociais, com um grande número de discussões e compartilhamentos durante todo o mês. Diante desse cenário, a Dr. Maria Fernanda pede cautela na forma de divulgação de estudos da medicina nos portais de notícias, pois o mistério do Alzheimer ainda está longe de ser solucionado. “É preciso combater a disseminação de boatos com informação de qualidade. As pessoas precisam entender como funciona o método de pesquisas da medicina. O Mal de Alzheimer é muito complexo e se manifesta de diferentes formas nos pacientes. Logo, é comum que o conhecimento sobre a doença tenha um ritmo mais lento”, afirma a doutora.