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Julho Amarelo – Mês da conscientização sobre as Hepatites Virais

Juliana Olsen Rodrigues – médica infectologista da Pronto Saúde


O dia 28 de julho foi instituído pela Organização Pan Americana da Saúde como o dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. Visando conscientizar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico e do tratamento das Hepatites, este mês foi denominado “julho amarelo”


As hepatites virais são doenças infectocontagiosas que acometem o fígado. As Hepatites B e C podem evoluir para a forma crônica. A evolução da doença acontece de forma “silenciosa”, ou seja, sem manifestar sintomas durante muitos anos. Os sintomas só aparecem na fase mais avançada, já com a manifestação de cirrose e câncer hepático.


O problema é saber quem tem a doença. Atualmente, o Ministério da Saúde estima que existam 1,7 milhões de brasileiros portadores do vírus da hepatite C e 756 mil portadores do vírus da hepatite B – muitos destes não sabem que têm a doença. Por isso, a realização de testes em toda a população é fundamental para o diagnóstico precoce.


As principais formas de transmissão da Hepatite B são por meio do sexo sem preservativo, compartilhamento de materiais que possam conter pequena quantidade de sangue, como lâminas de barbear, escovas de dentes, material de manicure não esterilizado, materiais utilizados para realização de tatuagens e piercings não esterilizados. Também pode ocorrer por meio do compartilhamento de seringas e agulhas para uso de drogas. Outra forma de transmissão é durante a gestação ou parto, se a mãe tiver Hepatite B.


Portanto, para prevenção, devemos usar preservativos em todas as relações sexuais, evitar compartilhar lâminas de barbear, escovas de dente, alicates de unha, verificar se o local onde vai realizar a tatuagem ou piercing e não compartilhar seringas. No caso das gestantes, realizar as sorologias no pré-natal.


Lembrando que para Hepatite B, a vacinação está disponível para todas as idades e é um importante método de prevenção.


Já para Hepatite C não há vacina e a principal forma de transmissão é pelo sangue. Até 1993 não eram realizados os testes para Hepatite C. Pessoas que receberam transfusão de sangue ou fizeram hemodiálise antes dessa data podem ter sido infectadas pelo vírus.


Como a Hepatite C também é transmitida por objetos com pequena quantidade de sangue, é importante não compartilhar lâminas de depilar, alicates de unha, materiais de manicure, agulhas e seringas; além de estar atento ao local de realização de tatuagens e piercings. A transmissão sexual da Hepatite C é mais rara, mas também ocorre na relação sexual desprotegida. Por isso, use sempre camisinha.


A contaminação entre familiares é algo comum devido ao hábito de compartilhar os materiais de higiene pessoal citados acima, por isso tenha seu próprio material e não compartilhe, mesmo dentro de casa.  Sempre que for na manicure, leve o seu próprio alicate de unha.


Se você se expôs à contaminação, seja por uso de drogas injetáveis ou transfusão de sangue no passado, sexo não seguro, ou mesmo por usar material não estéril na manicure, deve fazer o exame para saber se tem as Hepatites B e C. Dessa forma, terá acesso ao diagnóstico e tratamento, antes que a doença evolua para a forma mais grave.